Resumo
Este estudo tem como objetivo investigar de que forma a interdisciplinaridade pode ser compreendida e aplicada na educação contemporânea como uma estratégia pedagógica de resistência à mercantilização do ensino e de promoção da autonomia discente. Este estudo adota uma abordagem qualitativa, de caráter bibliográfico, fundamentada na análise crítica de obras e artigos científicos que tratam da interdisciplinaridade na educação, bem como das relações entre escola e mercado. O estudo fundamenta-se em revisão teórica e tem como objetivo demonstrar como as práticas educativas refletem as estruturas de poder e como, na atualidade, modelam o indivíduo segundo uma lógica mercadológica e utilitarista, por meio de uma formação especializada e de saberes fragmentados. Nesse cenário, a interdisciplinaridade surge como possibilidade de superação desse modelo fracassado, reducionista e especializado, buscando a formação do aluno em sua integralidade, levando em consideração o contexto, o todo em detrimento das partes, as relações entre os diversos sujeitos e suas experiências, promovendo uma educação mais humanizadora.
Referências
ANTISERI, Dario. Breve nota epistemológica sull’interdisciplinarità: orientamenti pedagogia 141. Brescia: Editora La Scuola, 1975.
ARANHA, Maria Lúcia Arruda. História da Educação e da Pedagogia: Geral e Brasil. São Paulo: Moderna, 2006.
BORTOLINI, Rosane Wandscheer. A paideia grega: aproximações teóricas sobre o ideal de formação do homem grego. Filos. e Educ., Campinas, SP, v.10, n.1, p.21-36, jan./abr. 2018.
BOULOS Junior, A. História Geral: Antiga e Medieval. São Paulo: FTD, 1997
BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é educação. São Paulo: Brasiliense, 2007.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais: Ensino Médio. Brasília: Ministério da Educação, 2002.
CAMBI, F. História da pedagogia. São Paulo: Ed. da Unesp, 1999.
CAMPOS, Flávio de. História: das cavernas ao terceiro milênio. São Paulo: Scipione, 1991.
COMÊNIO, João Amós. Didáctica Magna: tratado da arte universal de ensinar tudo a todos. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, [s.d.]
DARDOT Pierre; LAVAL, Cristian. A nova razão do mundo: ensaio sobre a sociedade neoliberal. 1ª ed. São Paulo: Boitempo, 2016.
DURKHEIM, É. A educação moral. Petrópolis: Vozes, 2008.
FAZENDA, Ivani Catarina Arantes (org.). O que é interdisciplinaridade. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2008.
FAZENDA, Ivani. Integração e Interdisciplinaridade no Ensino Brasileiro: efetividade ou ideologia. São PAULO: Edições Loyola, 2011.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 15. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
GHIRALDELLI JR., Paulo. História da Educação Brasileira. 4. ed. São Paulo: Cortez, 2009.
HARDT, Michael; NEGRI, Antonio. Declaração: isto não é um manifesto. São Paulo: N-1 Edições, 2014.
HOBSBAWM, Eric. Ecos da Marselhesa. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.
HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos: o breve século XX — 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.
IBGE. Sinopse do censo demográfico 2010. Rio de Janeiro, 2011. Disponível em:
JAEGER, Werner Wilhelm. Paidéia: a formação do homem grego. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2013.
JAPIASSU, Hilton. Ciência e destino humano. Rio de Janeiro: Imago, 2005.
JARES, X. R. Educar para a paz em tempos difíceis. São Paulo: Palas Athena, 2007.
LESSA, Sérgio. Para compreender a Ontologia de Lukács. São Paulo: Instituto Lukács, 2015.
LUCKESI, C. C. Filosofia da Educação. São Paulo: Cortez ,1994.
MARRACH, S. A. Neoliberalismo e Educação. In: GUIRALDELLI JUNIOR, P. (Org.). Infância, Educação e Neoliberalismo. São Paulo: Cortez, 1996. p. 42-56.
MORAES, R.C. Neoliberalismo: de onde vem, para onde vai? São Paulo: SENAC, 2001.
MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, repensar o pensamento. 8. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2008.
MORIN, Edgar. A Escola mata a curiosidade. [dez., 2003]. Entrevistadora: P. Gentili. Nova Escola, São Paulo, edição 168, dez. 2003.
MORIN, Edgar. Educação e complexidade, os sete saberes e outros ensaios. São Paulo: Cortez, 2005.
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Declaração Universal dos Direitos Humanos. Paris: ONU, 1948. Disponível em:https://www.oas.org/dil/port/1948%20Declara%C3%A7%C3%A3o%20Universal%20dos%20Direitos%20Humanos.pdf. Acesso em: 21 jun. 2025.
PETITAT, André. Produção da escola/produção da sociedade: análise sócio histórica de alguns momentos decisivos da evolução escolar no ocidente. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.
RICCI, Rudá. Vinte anos de reformas educacionais. In: Revista Ibero americana, n.31, abr. 2003, p.91-120.
ROMANELLI, Otaíza de Oliveira. História da educação no Brasil. 20.ed. Petrópolis-RJ: Vozes, 1998.
SALGADO, J.C.. O espírito do Ocidente ou a razão como medida: Protágoras de Abdera, a educação, o Estado e a justiça. Belo Horizonte: Revista Brasileira de Estudos Políticos, 2014.
SANTOS, Milton. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. 6. ed. Rio de Janeiro: Record, 2001.
SAVIANI, Dermeval. Trabalho e educação: fundamentos ontológicos e históricos. Revista Brasileira de Educação, v. 12, n. 34, p. 152-165, jan./abr. 2007.
SILVA, Roberto Rafael Dias da. A crise como operador estratégico e a emergência de novas figuras subjetivas: escolarização juvenil e a arte de governar neoliberal. In: RESENDE, Haroldo de (org.). Michel Foucault: a arte neoliberal de governar e a educação. São Paulo: Intermeios, 2018. p. 195-210.
VIEIRA, Paulo Eduardo. A gênese da educação grega: da areté homérica à Paideia clássica. In: Filos. e Educ., Campinas, SP, v.10, n.1, p.166-183, jan./abr. 2018.
