TRANSTORNOS DE ANSIEDADE RELACIONADOS AO USO DE TELAS NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
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Palavras-chave

Saúde Mental; Redes Sociais; Saúde Pediátrica.

Como Citar

Sandre Said, H. ., Suhett Caiado, Y. ., Almeida Stelzer, J. ., & Rossi Tavares, E. . (2025). TRANSTORNOS DE ANSIEDADE RELACIONADOS AO USO DE TELAS NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA. Estudos Avançados Sobre Saúde E Natureza, 19. https://doi.org/10.51249/easn19.2025.2625

Resumo

O avanço tecnológico e a ampla disponibilidade de dispositivos digitais transformaram profundamente o cotidiano de crianças e adolescentes. No entanto, o uso prolongado de telas tem sido associado a repercussões negativas na saúde mental, destacando-se o aumento da prevalência de transtornos de ansiedade nessa faixa etária. A hiperexposição a conteúdos digitais, a redução de interações sociais presenciais e a sobrecarga de estímulos podem afetar o neurodesenvolvimento, a regulação emocional e o comportamento, configurando um desafio crescente para a saúde pública e para as práticas de cuidado interdisciplinar. O presente trabalho visa analisar a relação entre o uso excessivo de telas e a ocorrência de transtornos de ansiedade em crianças e adolescentes, contemplando aspectos clínicos, diagnósticos e psicossociais, bem como estratégias preventivas e terapêuticas emergentes. Trata-se de uma revisão bibliográfica qualitativa, descritiva e analítica, baseada em publicações nacionais e internacionais entre 2019 e 2024, obtidas nas bases de dados SciELO, LILACS, PubMed, Scopus e Web of Science. Foram priorizados artigos revisados por pares e com relevância para a prática clínica pediátrica, psiquiátrica e interdisciplinar, incluindo revisões sistemáticas, estudos longitudinais e metanálises. Evidências recentes apontam que o tempo excessivo em frente a telas especialmente em redes sociais, jogos online e plataformas de streaming está associado a sintomas de ansiedade generalizada, ataques de pânico e aumento da irritabilidade em crianças e adolescentes. Mecanismos neurobiológicos incluem hiperativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, desregulação dopaminérgica e padrões de sono prejudicados pela exposição à luz azul e pela hiperestimulação cognitiva noturna. Além disso, a comparação social constante e a exposição a cyberbullying aumentam o risco de baixa autoestima e ansiedade social, potencialmente perpetuando quadros ansiosos pré-existentes. Estudos longitudinais sugerem uma relação dose-resposta, na qual o uso diário superior a 3-4 horas correlaciona-se a maior prevalência de sintomas ansiosos, especialmente quando o uso ocorre em horários noturnos ou substitui atividades protetoras, como esportes, brincadeiras presenciais e interações familiares. A pandemia de COVID-19 intensificou esse cenário, pois o ensino remoto e o isolamento social aumentaram drasticamente a dependência digital, favorecendo o crescimento de quadros de ansiedade, depressão e estresse pós-traumático em populações jovens. Por outro lado, fatores mediadores como a qualidade do conteúdo consumido, a presença de interações sociais positivas e o suporte parental podem atenuar os riscos. Intervenções promissoras incluem programas de alfabetização digital, limitação do tempo de tela recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), incentivo a atividades físicas e implementação de terapias cognitivo-comportamentais adaptadas ao ambiente digital. Pesquisas recentes também exploram ferramentas de triagem digital e aplicativos de mindfulness como estratégias complementares para manejo da ansiedade em adolescentes. Do ponto de vista clínico, a identificação precoce é fundamental. Pediatras, psiquiatras e equipes escolares devem integrar rastreio de hábitos digitais na avaliação de saúde mental, permitindo intervenções precoces e interdisciplinares, com envolvimento familiar e, quando necessário, suporte farmacológico. O uso excessivo de telas na infância e adolescência está fortemente associado ao aumento da prevalência e gravidade dos transtornos de ansiedade, mediado por fatores neurobiológicos, comportamentais e psicossociais. A mitigação desses impactos requer abordagem multifatorial, combinando educação digital, políticas públicas, orientação familiar e intervenções terapêuticas baseadas em evidências. O estabelecimento de limites saudáveis e a promoção de atividades protetoras despontam como estratégias essenciais para reduzir os riscos e promover um desenvolvimento emocional equilibrado em meio à era digital.

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Referências

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