Resumo
A incorporação das tecnologias digitais à saúde tem promovido transformações profundas na forma de prestar assistência médica e gerenciar os serviços de saúde. A telemedicina, entendida como o uso das tecnologias de informação e comunicação para oferecer consultas, diagnósticos e monitoramentos a distância, destaca-se como ferramenta essencial de ampliação do acesso e de promoção da equidade em saúde. Paralelamente, os telecentros em saúde configuram-se como espaços públicos de inclusão digital e social, possibilitando o acesso à informação, à educação e aos serviços digitais. Integrados às políticas de saúde, esses ambientes favorecem o empoderamento comunitário e a disseminação do conhecimento, especialmente entre populações vulneráveis. O capítulo destaca o caso do Telecentro Laura Vermont, em São Paulo, como exemplo de ação voltada à população LGBTQIA+, promovendo acolhimento, empregabilidade, acesso à internet e cuidados em saúde física e mental. Em termos econômicos, a telemedicina e os telecentros contribuem para a redução de custos operacionais e logísticos, otimizando recursos e fortalecendo o Sistema Único de Saúde (SUS). Socialmente, essas iniciativas consolidam o princípio da equidade, aproximando tecnologia e cidadania. Conclui-se que a integração entre telemedicina e telecentros é essencial para a construção de um sistema de saúde mais democrático, sustentável e humano, pautado em políticas públicas de inclusão digital e capacitação profissional contínua.
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