Resumo
O presente artigo analisa o crescente cenário de violência contra pessoas homoafetivas na cidade de São Paulo, com ênfase nas regiões da República e Avenida Paulista, espaços historicamente ocupados por populações LGBTQIA+. A pesquisa parte de uma amostra de 822 entrevistados 631 homens e 191 mulheres todos declaradamente homoafetivos, com recorte adicional de raça e renda. Os dados evidenciam não apenas a recorrência de agressões físicas e simbólicas, mas também os impactos psicossociais resultantes, como medo constante, retração social e sinais de adoecimento mental. A violência se intensifica em contextos de maior vulnerabilidade, como zonas periféricas e entre indivíduos negros e de baixa renda, apontando para uma interseccionalidade entre LGBTfobia e racismo estrutural. A metodologia adotada combinou pesquisa de campo com revisão bibliográfica fundamentada em autores como Miskolci, Benevides e Louro, além de dados de organizações como o Grupo Gay da Bahia e ANTRA. Os resultados demonstram a insuficiência das políticas públicas atuais para a proteção integral dessa população. Conclui-se que a criação de políticas inclusivas, interseccionais e territorializadas é urgente para garantir direitos, segurança e saúde mental à população homoafetiva em São Paulo.
Referências
AGÊNCIA BRASIL. Violência contra pessoas LGBTQIA+ em SP cresce 970% em oito anos [Internet]. Brasília: Agência Brasil, 2024 [citado 2025 maio 20]. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2024-05/violencia-contra-pessoas-lgbtqia-em-sp-cresce-970-em-oito-anos.
BENTO, B. A reinvenção do corpo: sexualidade e gênero na experiência transexual. São Paulo: Editora UFMG, 2006.
BENTO, B. Sexualidade e saberes: convenções e fronteiras. Rio de Janeiro: Garamond, 2017.
BENTO, B. Sexualidade e saberes: convenções e fronteiras. São Paulo: Garamond, 2006.
CRENSHAW, K. Mapping the margins: intersectionality, identity politics, and violence against women of color. Stanford Law Review, v. 43, n. 6, p. 1241–1299, 1991.
FACCHINI, R. Sopa de letrinhas? Movimento homossexual e produção de identidades coletivas nos anos 90. Physis (Rio J), v. 15, n. 1, p. 77–99, 2005.
FACCHINI, R. Sopa de letrinhas? Movimento homossexual e produção de identidades coletivas nos anos 90. Rio de Janeiro: Garamond, 2005.
MISKOLCI, R. A teoria queer e a sociologia: o desafio de uma analítica da normalização. Sociologias, v. 14, n. 30, p. 150–182, 2012. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1517-45222012000200006.
MISKOLCI, R. O desejo da nação: masculinidade e branquitude no Brasil de hoje. Revista Estudos Feministas, v. 20, n. 2, p. 527–537, 2012.
MISKOLCI, R. Teoria queer: um aprendizado pelas diferenças. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2014.
PELÚCIO, L. Entrevista: A transfobia como pedagogia social: punições, lições e aprendizagens. Cadernos Pagu, n. 43, p. 201–231, 2014. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0104-83332014004300008.
PELÚCIO, L. Performances do desejo: notas para uma política da cena travesti. Sexualidad, Salud y Sociedad, n. 2, p. 77–105, 2009.
