Resumo
O presente artigo analisa a contribuição do Sistema Único de Saúde (SUS) no enfrentamento da epidemia de AIDS no Brasil ao longo de seus 35 anos de existência. Instituído pela Constituição Federal de 1988, o SUS promoveu uma ruptura com o modelo excludente anterior ao garantir acesso universal, integral e equitativo aos serviços de saúde. A análise destaca a importância da implementação da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e do Programa Nacional de DST/AIDS, que consolidaram políticas públicas baseadas nos direitos humanos, descentralização e acesso gratuito ao tratamento. Um dos marcos dessa política foi a introdução do AZT (zidovudina) no início da década de 1990, representando o primeiro avanço terapêutico no tratamento do HIV no Brasil. O artigo discute também a importância das ações de promoção da saúde, como testagem, campanhas educativas e acesso a profilaxias (PrEP e PEP), demonstrando a abordagem integral adotada pelo SUS. A pesquisa toma como base a experiência do Hospital Municipal Dr. Armando Nogueira, em Mogi das Cruzes (SP), referência regional no cuidado às pessoas vivendo com HIV/AIDS, evidenciando a articulação entre diagnóstico, tratamento e prevenção como pilares da resposta brasileira à epidemia.
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