PARA ALÉM DO DIAGNÓSTICO: O OLHAR E AS POSSIBILIDADES DA ENFERMAGEM FRENTE AOS TRANSTORNOS PARAFÍLICOS
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Palavras-chave

Acolhimento; Sexualidade Humana; Prevenção de riscos.

Como Citar

Camilo Teixeira, H. ., Marina França Souto, N. ., & Pereira Rodrigues , F. . (2026). PARA ALÉM DO DIAGNÓSTICO: O OLHAR E AS POSSIBILIDADES DA ENFERMAGEM FRENTE AOS TRANSTORNOS PARAFÍLICOS. Estudos Avançados Sobre Saúde E Natureza, 20. https://doi.org/10.51249/easn20.2026.2810

Resumo

A saúde mental configura-se como um campo complexo e dinâmico, atravessado por dimensões clínicas, éticas, culturais e sociais, frequentemente marcado por estigmas que dificultam o acesso e a qualidade do cuidado. Nesse contexto, os transtornos parafílicos (TP) representam desafios adicionais para a prática em enfermagem, exigindo acolhimento qualificado, escuta ativa e intervenções terapêuticas pautadas na ética e na promoção de direitos. Este estudo tem como objetivo refletir sobre a abordagem e possibilidades da enfermagem frente aos transtornos parafílicos, considerando suas implicações legais, éticas e sociais na prática clínica. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura (RNL), de caráter descritivo e reflexivo, realizada por meio da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), além de livros, manuais técnicos e legislações pertinentes às áreas da saúde mental, psiquiatria, direito, psicologia e prática da enfermagem. Evidenciou-se que o enfermeiro desempenha papel central na construção do vínculo terapêutico, na psicoeducação e no desenvolvimento de ações de prevenção primária e secundária, além de atuar como elo fundamental na articulação com a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Observou-se a escassez de produções científicas nacionais e internacionais que abordem especificamente a atuação do enfermeiro frente aos transtornos parafílicos, reforçando a necessidade de investimentos em pesquisa, formação continuada e educação permanente. Conclui-se que o cuidado de enfermagem em saúde mental, especialmente no contexto dos transtornos parafílicos, exige uma abordagem integral, humanizada e ética, fundamentada no processo de enfermagem, na singularidade do indivíduo e no respeito à sexualidade humana, consolidando o enfermeiro como agente estratégico na qualificação do cuidado e no enfrentamento do estigma relacionado à sexualidade e ao comportamento sexual.

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