NEUROINFLAMAÇÃO E ATIVAÇÃO MICROBIAL COMO MECANISMO CENTRAL NA PROGRESSÃO DA DOENÇA DE ALZHEIMER: UMA REVISÃO DOS ALVOS TERAPÊUTICOS EMERGENTES
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Palavras-chave

Doença de Alzheimer; Neurologia; Neuroinflamação.

Como Citar

Evangelista Filho, E. ., Carolina Alves, A. ., Miguel Freitas, I. ., & Teles Rodrigues, C. . (2025). NEUROINFLAMAÇÃO E ATIVAÇÃO MICROBIAL COMO MECANISMO CENTRAL NA PROGRESSÃO DA DOENÇA DE ALZHEIMER: UMA REVISÃO DOS ALVOS TERAPÊUTICOS EMERGENTES. Estudos Avançados Sobre Saúde E Natureza, 19. https://doi.org/10.51249/hp12.2025.2586

Resumo

A Doença de Alzheimer (DA) é a forma mais prevalente de demência neurodegenerativa, caracterizada clinicamente por declínio cognitivo progressivo e, histopatologicamente, pelo acúmulo de placas β-amiloides e emaranhados neurofibrilares. Nas últimas décadas, a compreensão dos mecanismos fisiopatológicos da DA expandiu-se além da hipótese amiloide, evidenciando a neuroinflamação crônica e a ativação microglial como fatores centrais na progressão da doença. A ativação persistente das células da glia pode exacerbar a perda neuronal por meio da liberação de citocinas pró-inflamatórias, espécies reativas de oxigênio e alterações na barreira hematoencefálica, além de sugerir a influência de fatores microbianos na modulação do eixo intestino-cérebro. O objetivo visa reunir e analisar criticamente a produção científica recente sobre os mecanismos de neuroinflamação e ativação microbial na DA, com foco em potenciais alvos terapêuticos emergentes que visam modular a resposta inflamatória e retardar a progressão da doença. Este trabalho consiste em uma revisão bibliográfica de caráter qualitativo, descritivo e analítico. Foram incluídas publicações nacionais e internacionais indexadas nas bases SciELO, LILACS, PubMed, Scopus e Web of Science, publicadas entre 2019 e 2024, priorizando artigos de revisão sistemática, estudos experimentais in vitro e in vivo, além de ensaios clínicos em andamento. Os descritores utilizados incluíram “Doença de Alzheimer”, “neuroinflamação”, “ativação microglial”, “microbiota” e “alvos terapêuticos”. As evidências revisadas reforçam que a ativação crônica da microglia exerce papel duplo: enquanto uma resposta microglial inicial é neuroprotetora, sua ativação sustentada favorece um ambiente neurotóxico. Citocinas como TNF-α, IL-1β e IL-6 perpetuam o ciclo inflamatório, contribuindo para disfunção sináptica e morte neuronal. Paralelamente, estudos recentes destacam a possível participação da microbiota intestinal na modulação da neuroinflamação, por meio de metabólitos neuroativos e translocação de lipopolissacarídeos (LPS), sugerindo o eixo intestino-cérebro como alvo potencial. Diversas abordagens terapêuticas emergem nesse contexto: inibidores seletivos de inflamasoma NLRP3, moduladores de receptores Toll-like (TLRs), anticorpos monoclonais anti-amiloides com ação imunomodulatória e probióticos capazes de restaurar o equilíbrio microbiano. Ensaios clínicos preliminares têm demonstrado resultados promissores, mas ainda há lacunas quanto à eficácia a longo prazo e à segurança dessas intervenções. A neuroinflamação e a ativação microbial configuram-se como elementos centrais na patogênese e progressão da DA, expandindo o horizonte terapêutico para além do foco tradicional no β-amiloide. O entendimento aprofundado das vias inflamatórias e da interação intestino-cérebro pode subsidiar o desenvolvimento de terapias mais eficazes e personalizadas, capazes de retardar o curso da doença e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Pesquisas translacionais e ensaios clínicos robustos são imprescindíveis para consolidar esses alvos como estratégias terapêuticas viáveis.

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Referências

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